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Tokenização de ativos cresce 122% no Brasil

O mercado brasileiro de tokenização digital de ativos do mundo real (RWAs) encerrou o primeiro semestre deste ano com a marca histórica de R$ 4,84 bilhões em emissões. Os dados consolidados pela plataforma RWA MONITOR apontam uma expansão superior a 122% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o ecossistema registrou R$ 2,17 bilhões em operações. O volume total de recursos efetivamente captados pelos emissores também acompanhou essa trajetória ascendente, saltando de R$ 1,60 bilhão para expressivos R$ 3,00 bilhões no mesmo intervalo analisado.

O desempenho reflete uma mudança estrutural no ecossistema financeiro nacional. A tecnologia blockchain deixou de ser vista como um experimento restrito a nichos de inovação para se consolidar como uma infraestrutura complementar ao mercado de capitais. Empresas de diversos portes, estruturadores e investidores institucionais passaram a adotar os ativos virtuais como ferramenta permanente para distribuição de títulos, rastreabilidade de garantias e ampliação do acesso a alocações antes restritas a grandes fundos de investimento.

“O salto de mais de 120% no volume de emissões e a escalada das captações sob a CVM 88 evidenciam o ponto de virada do ecossistema de RWA em 2026.”

O principal vetor financeiro dessa aceleração veio das ofertas públicas de grande porte enquadradas na Resolução CVM 160. Essa categoria movimentou R$ 3,10 bilhões em emissões, o que representa uma alta de 129,4% na comparação anual. As captações sob esse regime normativo específico alcançaram R$ 2,31 bilhões, acompanhadas por um salto no número de projetos estruturados, que subiu de 6 para 26 iniciativas. O movimento demonstra a entrada definitiva de grandes participantes institucionais no ambiente distribuído.

Em termos percentuais, o maior crescimento ocorreu nas emissões privadas mantidas fora do ambiente público tradicional. O volume estruturado nessa modalidade saltou de R$ 205 milhões para R$ 1,18 bilhão, registrando um avanço impressionante de 476,4%. A quantidade de projetos privados ativos subiu de 40 para 262 no período de doze meses, revelando que a tecnologia passou a servir como um laboratório de inovação flexível e ágil para empresas que buscam alternativas personalizadas de financiamento corporativo.

“Durante muito tempo, o mercado esteve mais próximo do consumo e da negociação de ativos digitais. Agora, vemos uma comunidade tecnicamente mais preparada para construir produtos e infraestrutura.”

No segmento regido pela Resolução CVM 88, voltado a ofertas de menor porte, o mercado deu sinais claros de maturidade comercial. Embora o volume total emitido tenha apresentado uma leve retração de 9,1%, as captações dispararam 308,5% no período, passando de R$ 127,2 milhões para R$ 519,9 milhões. O comportamento indica que o setor reduziu a pulverização de ofertas para focar na qualidade e na conversão comercial dos projetos apresentados aos investidores.

Análises do RWA MONITOR indicam que os primeiros meses do ano concentraram os maiores volumes de lançamento, seguidos por uma etapa de absorção e consolidação dos títulos pelos participantes. A expectativa para os meses seguintes aponta para uma seleção ainda mais rigorosa dos projetos, priorizando estruturas com lastros transparentes e forte conformidade regulatória. A tendência indica que as ofertas corporativas privadas continuarão expandindo a base de emissores, consolidando a infraestrutura digital no ecossistema financeiro brasileiro.


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