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Adoção de IA na saúde brasileira cresce

Adoção de IA na saúde brasileira cresce

A inteligência artificial (IA) começou a desenhar um novo horizonte para o setor hospitalar no Brasil, embora o ritmo de implementação ainda enfrente resistências estruturais. Dados da 12ª edição da pesquisa TIC SAÚDE, divulgada nesta semana, revelam que 18% dos estabelecimentos de saúde no país utilizaram soluções de IA em 2025. O uso da tecnologia é mais expressivo em instituições de grande porte. Em hospitais com mais de 50 leitos, o índice de adoção sobe para 31%, enquanto nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) o percentual atinge 29%, evidenciando que a inovação está concentrada onde há maior volume de dados e infraestrutura.

“A adoção da IA depende não apenas da infraestrutura tecnológica, mas também de capacidades institucionais e governança.”

Entre as tecnologias aplicadas, a IA generativa lidera o ranking, estando presente em 76% das instituições que utilizam algoritmos. A organização de processos clínicos e administrativos é a principal finalidade da IA. Outras aplicações relevantes incluem o reforço na segurança digital (36%) e a busca por maior eficiência nos tratamentos (32%). O levantamento, conduzido pelo CETIC.BR e pelo NIC.BR, aponta que a mineração de texto e a automação de processos também ganham espaço como ferramentas para otimizar a rotina de médicos e gestores.

Apesar do avanço, o caminho para a digitalização plena esbarra em obstáculos econômicos e culturais. Nos grandes hospitais, 63% dos gestores apontam os custos elevados como o principal entrave, seguido pela falta de priorização institucional. Nos centros de diagnóstico, o desinteresse e a ausência de prioridade chegam a 64%. Luciana Portilho, coordenadora do CETIC.BR, ressalta que a segurança e a responsabilidade na aplicação dessas ferramentas exigem profissionais altamente qualificados e marcos regulatórios sólidos, especialmente em um setor que manipula dados sensíveis.

O uso de Big Data ainda é incipiente, alcançando apenas 9% do total de estabelecimentos em 2025. Hospitais de grande porte lideram a análise de grandes volumes de dados com 30%. A maioria dessas análises concentra-se em informações internas, como prontuários eletrônicos e registros administrativos. O desafio reside na integração: embora 92% das unidades usem sistemas digitais, menos da metade consegue realizar o envio ou recebimento de encaminhamentos eletrônicos, evidenciando um gargalo na continuidade do cuidado ao paciente.

“O avanço da IA na saúde exige profissionais qualificados para que a tecnologia seja aplicada de forma segura.”

A interoperabilidade de dados surge como uma questão estratégica para a eficiência do sistema. Pela primeira vez, a pesquisa investigou a adesão à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) do MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cerca de 44% dos estabelecimentos brasileiros já estão conectados à RNDS. O destaque positivo fica para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que apresentam 72% de conectividade, superando o setor privado e facilitando o compartilhamento de resultados de exames e relatórios de assistência entre diferentes níveis de atendimento.

A telessaúde e a interação digital com pacientes apresentaram crescimentos robustos em 2025. O agendamento online de consultas e exames já é oferecido por mais de 30% das unidades. A teleconsultoria permanece como a modalidade mais difundida (36%), enquanto a interação direta entre equipe de saúde e paciente via canais digitais saltou para 35%. Esse avanço é impulsionado pela expansão da fibra ótica e da conectividade, permitindo que o atendimento remoto se torne uma realidade para uma parcela maior da população brasileira.

No campo da segurança, a proteção de dados ainda demanda atenção urgente. Apenas 42% dos estabelecimentos de saúde possuem uma política formal de segurança da informação. A implementação de medidas estruturadas da LGPD, como a nomeação de um encarregado de dados (DPO), é adotada por apenas 30% das instituições. Para Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.BR, a mudança metodológica da pesquisa para incluir todos os estabelecimentos com computador reflete a necessidade de compreender a rápida disseminação da IA em todo o ecossistema de saúde nacional.


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