O Bitcoin voltou a se aproximar da região de US$ 79,5 mil na última semana, maior nível desde o fim de janeiro, antes de recuar novamente para a faixa de US$ 76 mil. O movimento reforça que o mercado entrou em zona decisiva, com compradores tentando retomar tendência de alta e vendedores defendendo resistências importantes. O Bitcoin está perto de um ponto de virada. Desde o início de abril, o ativo acumula valorização próxima de 13%, sinalizando melhora relevante no sentimento.
Segundo análise da 21SHARES, parte dos indicadores técnicos já mudou de direção, embora a reversão ainda não esteja totalmente confirmada. A média móvel de 100 dias foi recuperada, enquanto a média de 200 dias permanece acima do preço, próxima de US$ 84.976. A tendência melhorou, mas ainda enfrenta teto técnico. Em ciclos anteriores, superar essa média longa frequentemente serviu como gatilho para movimentos mais fortes.
No horizonte estrutural, o cenário segue mais saudável. A média móvel de 200 semanas está em torno de US$ 60 mil, enquanto o preço realizado on-chain, métrica que representa o custo médio dos bitcoins em circulação, aparece perto de US$ 54 mil. Os suportes de longo prazo continuam bem abaixo do preço atual. Isso sugere que, apesar da volatilidade recente, a base do ciclo ainda não foi comprometida.
Outro indicador acompanhado pelo mercado é o RSI, usado para medir momentum. Próximo de 65 pontos e em tendência de alta, ele sugere entrada consistente de compradores. Ao mesmo tempo, níveis semelhantes já antecederam correções locais em outros momentos. Força compradora existe, mas excesso de entusiasmo cobra preço. Por isso, os próximos dias tendem a ser decisivos.
Cenário 1: Consolidação lateral entre US$ 74 mil e US$ 80 mil
Esse é o cenário-base traçado por parte do mercado institucional. O Bitcoin permaneceria oscilando dentro dessa faixa durante o restante do segundo trimestre, sem força suficiente para romper resistências nem fraqueza para perder suportes relevantes. Mercado lateral também é mercado de preparação. Esse tipo de movimento costuma ocorrer após recuperações rápidas, enquanto investidores redefinem posições.
Cenário 2: Rompimento de alta até US$ 85 mil ou US$ 87 mil
Caso o preço feche de forma consistente acima da região entre US$ 78 mil e US$ 80 mil, abre-se espaço para nova perna altista. A próxima zona observada por analistas fica entre US$ 85 mil e US$ 87 mil, próxima da média móvel de 200 dias. Romper resistência importante costuma atrair novo fluxo comprador. O gatilho para isso pode vir de melhora macroeconômica, dólar mais fraco ou continuidade dos aportes institucionais.
No campo institucional, o pano de fundo segue favorável. ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos absorveram mais de US$ 1,4 bilhão na última semana, enquanto a STRATEGY anunciou compra adicional de 34.164 BTC por US$ 2,54 bilhões. Grandes compradores continuam presentes.
Cenário 3: Rejeição e queda para US$ 70 mil a US$ 74 mil
Se a resistência atual continuar segurando o preço e o ambiente macro piorar, o Bitcoin pode devolver parte da alta recente. Tensões geopolíticas, juros elevados por mais tempo ou queda no apetite por risco global poderiam levar o ativo de volta à faixa entre US$ 70 mil e US$ 74 mil. Nem toda recuperação vira rompimento imediato. Correções após altas rápidas são comuns no histórico do ativo.
Os níveis entre US$ 78 mil e US$ 80 mil seguem como principal zona de decisão. Abaixo disso, US$ 74 mil é suporte importante no curto prazo. Hoje, o mercado parece menos dependente de narrativa e mais dependente de confirmação técnica. O próximo movimento relevante do Bitcoin provavelmente sairá dessa disputa.


