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América Latina redesenha o dinheiro e acelera virada para blockchain

América Latina redesenha o dinheiro e acelera virada para blockchain

A América Latina vive uma transformação silenciosa no modo como pessoas e empresas lidam com dinheiro, crédito e proteção patrimonial. Em vez de depender exclusivamente de bancos tradicionais, milhões de usuários passaram a recorrer a stablecoins, plataformas descentralizadas e ativos tokenizados como resposta prática à inflação, burocracia e exclusão financeira. A mudança já saiu do discurso e entrou no cotidiano.

Esse movimento será tema de webinar promovido pela LATAM INTERSECT no dia 29 de abril, com participação de Paulo Aragão, country manager do COINTELEGRAPH BRASIL e apresentador do podcast Giro Bitcoin. O debate pretende analisar como o mercado regional de criptomoedas alcançou US$ 162,1 bilhões em 2024 e pode chegar a US$ 442,6 bilhões até 2033, segundo projeções do IMARC GROUP.

Por trás da expansão, há fatores econômicos estruturais. A região convive há décadas com moedas frágeis, juros elevados, informalidade e baixa bancarização. Em diversos países, abrir conta, acessar crédito ou proteger reservas em moeda forte continua sendo caro ou limitado. Nesse contexto, ativos digitais passaram a oferecer alternativas que o sistema tradicional nem sempre entregou.

No Brasil, o crescimento se reflete na sofisticação do mercado. Dados da CHAINALYSIS indicam forte avanço das finanças descentralizadas, com participação relevante dos protocolos DeFi no volume cripto nacional. O país também lidera iniciativas regulatórias e testes institucionais, como o DREX, projeto de moeda digital do BANCO CENTRAL. O Brasil virou laboratório financeiro.

Na Argentina, a adoção ganhou contornos defensivos. Com inflação persistente e sucessivas perdas de valor do peso, stablecoins atreladas ao dólar se consolidaram como reserva prática de valor. Plataformas P2P e carteiras digitais passaram a integrar a rotina de famílias e pequenos negócios que buscam previsibilidade para o caixa.

Na Colômbia e no México, o vetor principal tem sido pagamentos e remessas. O México recebeu mais de US$ 63 bilhões em remessas em 2024, segundo o BANCO MUNDIAL e o BANCO CENTRAL mexicano, mantendo-se entre os maiores destinos globais desse fluxo. Soluções baseadas em blockchain vêm reduzindo custo e tempo de envio, especialmente em transferências de pequeno valor. Enviar dinheiro barato virou caso de uso real.

As finanças descentralizadas talvez representem a mudança mais profunda. Por meio de contratos inteligentes, usuários conseguem emprestar, tomar crédito, remunerar saldo ou transferir ativos sem intermediários tradicionais. Dados da DEFILLAMA mostram que o valor total bloqueado em protocolos DeFi voltou a superar US$ 100 bilhões globalmente, sinalizando retomada de confiança após crises anteriores.

Para a América Latina, isso tem peso especial. Segundo o BANCO MUNDIAL, milhões de adultos ainda permanecem sem conta bancária formal na região. Em tese, basta conexão à internet e uma carteira digital para acessar serviços antes restritos a estruturas bancárias convencionais.

“O que estamos vendo na América Latina é uma reconfiguração do contrato social com o dinheiro.”

A avaliação de Roger Darashah, cofundador da LATAM INTERSECT, resume a mudança cultural em curso. O foco já não está apenas na valorização do Bitcoin, mas em histórias concretas: trabalhadores protegendo renda em dólar digital, empreendedores recebendo do exterior e consumidores buscando retorno acima da poupança local.

Ainda assim, o avanço está longe de ser linear. A volatilidade dos criptoativos segue elevada, golpes continuam frequentes e ataques a protocolos descentralizados já geraram perdas bilionárias no mundo. Soma-se a isso a desigualdade digital e a baixa educação financeira em parte da população, fatores que podem ampliar riscos em vez de reduzi-los.

“A promessa da inclusão financeira dependerá do quanto essas ferramentas serão acessíveis e seguras.”

No horizonte, novas frentes começam a ganhar tração. Tokenização de ativos reais, integração entre inteligência artificial e DeFi, além de stablecoins lastreadas em moedas locais, aparecem como próximos capítulos. Projetos ligados ao real, peso mexicano e peso colombiano já entram no radar de empresas e reguladores. O mapa econômico latino-americano está sendo redesenhado.

Se a tendência continuar, blockchain deixará de ser tema de nicho tecnológico para se tornar infraestrutura financeira regional. Na América Latina, onde confiança monetária sempre foi desafio recorrente, essa transição pode ter impacto maior do que em mercados desenvolvidos.


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