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Stablecoins avançam no Brasil

Stablecoins avançam no Brasil

O crescimento das stablecoins no Brasil deve vir acompanhado de regras mais rígidas de monitoramento e identificação de usuários, mas isso não significa o fim das ferramentas voltadas à privacidade financeira. Essa é a avaliação de Vadim Taszycki, diretor de crescimento da STEALTHEX. Quanto maior a adoção, maior também tende a ser a disputa entre controle e autonomia. O tema ganha relevância num momento em que stablecoins se consolidam como principal uso prático do mercado cripto no país.

Segundo o executivo, esses ativos digitais lastreados em moedas fiduciárias deixaram de ser apenas instrumento especulativo e passaram a funcionar como infraestrutura financeira. Em vez de buscar valorização, muitos usuários usam stablecoins para transferir valor com estabilidade, rapidez e menor custo. A revolução aconteceu silenciosamente. Empresas, mesas de tesouraria e instituições já começam a tratá-las como alternativa operacional para pagamentos e liquidações internacionais.

No Brasil, a tendência é particularmente visível. Dados recentes citados pelo mercado indicam que mais de 90% do volume cripto negociado no país envolve stablecoins. Tokens como Tether e USD Coin dominam esse fluxo, servindo como ponte entre real, dólar e ecossistema digital. Muitos brasileiros entraram no universo cripto buscando dólar digital, não volatilidade. O movimento se intensificou em meio a juros altos, busca por proteção cambial e facilidade operacional.

Taszycki afirma que a expansão do setor traz um paradoxo: ao mesmo tempo em que stablecoins facilitam transações globais, elas são altamente rastreáveis. Em blockchains públicas, movimentações ficam registradas permanentemente e podem ser analisadas por empresas especializadas ou autoridades. Eficiência e vigilância caminham lado a lado. Diferentemente do dinheiro em espécie, transferências digitais deixam trilhas detalhadas.

Levantamento citado pelo especialista aponta mais de US$ 4,2 bilhões em fluxos de stablecoins passando por protocolos de privacidade. Isso indicaria demanda real por mecanismos capazes de ocultar origem, destino ou valores transacionados. Quando a transparência é total, parte do mercado procura sombra. Ferramentas desse tipo podem atender desde usuários preocupados com segurança patrimonial até agentes mal-intencionados.

Entre os protocolos mencionados estão soluções como Railgun, zkBOB, THORChain e Chainflip. Após sanções americanas ao Tornado Cash, novos modelos surgiram tentando equilibrar privacidade com algum grau de conformidade. Proibir uma ferramenta raramente elimina a demanda que a criou.

O comportamento dos usuários também varia conforme o ambiente. Em estruturas menos monitoradas, cresce o uso de DAI, stablecoin descentralizada sem emissor central capaz de congelar fundos. Já em ambientes mais regulados, predominam USDC e USDT, emitidas por empresas com poder de bloqueio e cooperação institucional. O mercado já opera em dois mundos paralelos.

Do lado corporativo, a discussão é pragmática. CFOs e áreas financeiras buscam reduzir custo de remessas, acelerar pagamentos internacionais e simplificar reconciliação. Ao mesmo tempo, exigem segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Ninguém quer economizar taxa correndo risco regulatório. Por isso, a adoção em massa tende a depender da integração entre stablecoins e bancos tradicionais.

Para Taszycki, o futuro provavelmente será híbrido. Em vez de privacidade total ou vigilância total, devem surgir modelos com auditoria seletiva e proteção de dados por padrão, usando tecnologias como provas de conhecimento zero. A próxima etapa não será escolher um lado, e sim combinar os dois. Nesse equilíbrio entre eficiência institucional e liberdade individual pode nascer a próxima fase das finanças digitais no Brasil.


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