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Ciclo do Bitcoin perde força histórica e desafia halvings

Ciclo do Bitcoin perde força histórica e desafia halvings

O ciclo iniciado após o halving de 2024 está entregando desempenho muito inferior aos grandes movimentos vistos nas fases anteriores do Bitcoin. A avaliação foi reforçada por Alex Thorn, chefe de pesquisa da GALAXY, ao comparar o comportamento do ativo nos ciclos de 2012, 2016, 2020 e no atual período. Para ele, a diferença é expressiva tanto em valorização quanto em volatilidade. O Bitcoin continua subindo, mas já não explode como antes.

Historicamente, o halving sempre ocupou papel central na narrativa do mercado. O evento reduz pela metade a emissão de novos bitcoins e tende a apertar a oferta ao longo do tempo. Nos ciclos passados, isso coincidiu com fortes altas. Após o halving de 2012, o BTC avançou mais de 9.000%. No ciclo de 2016, a valorização superou 2.900%. Em 2020, o ganho ficou próximo de 761%. Já no ciclo iniciado em abril de 2024, a máxima acima de US$ 125 mil representou alta de cerca de 97% sobre o preço do halving, em torno de US$ 63 mil. Para padrões históricos do Bitcoin, isso parece modesto.

A leitura sugere mudança estrutural no comportamento do ativo. Conforme o mercado amadurece e cresce em capitalização, movimentos extremos tendem a ficar mais difíceis. Um ativo avaliado em trilhões de dólares exige fluxos muito maiores para repetir saltos percentuais do passado. Quanto maior o mercado, mais difícil dobrar de tamanho rapidamente.

Outro ponto relevante é a queda da volatilidade. Indicadores de 30 dias mostram que oscilações recentes ficaram bem abaixo dos picos registrados em ciclos anteriores. Em 2020, esse índice ultrapassou 9%. No atual ciclo, permaneceu pouco acima de 3% nos momentos mais agitados, com leituras recentes ainda menores. Dados públicos da BITBO e de provedores de mercado confirmam essa desaceleração. O Bitcoin segue volátil, mas menos selvagem.

Essa redução pode ser explicada por mudanças no perfil dos participantes. A entrada de gestoras, fundos, tesourarias corporativas e investidores institucionais tende a tornar o mercado mais profundo e racionalizado. Em janeiro de 2024, a aprovação dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos abriu nova porta de acesso para grandes volumes de capital tradicional. Desde então, fluxos bilionários passaram a influenciar diretamente o preço. Wall Street entrou e alterou a dinâmica do jogo.

Esse fator também ajuda a explicar uma anomalia histórica: o Bitcoin renovou máxima antes do próprio halving. Em março de 2024, o ativo superou US$ 70 mil, algo incomum dentro da lógica tradicional de ciclos. Em outras fases, os recordes vieram meses depois da redução de oferta. Para críticos da análise de Thorn, isso distorce comparações diretas, já que parte da valorização foi antecipada pelos ETFs e pelo front-running do mercado. Talvez o ciclo não tenha sido fraco, apenas adiantado.

Há ainda outro elemento positivo: os mercados de baixa ficaram menos violentos. Segundo análises da FIDELITY DIGITAL ASSETS, quedas históricas de 80% a 90% parecem menos prováveis no atual estágio de maturidade. Depois de superar US$ 125 mil, o recuo para a faixa de US$ 60 mil representou pouco mais de 50%, ainda severo, mas inferior aos colapsos do passado. Menos euforia pode significar também menos destruição.

Isso coloca em xeque a famosa teoria dos ciclos perfeitos de quatro anos. O halving segue relevante, mas talvez já não seja o único motor dominante. Liquidez global, juros americanos, fluxos institucionais, regulação e ETFs passaram a disputar protagonismo na formação de preço. O Bitcoin amadureceu e ficou mais macroeconômico.

Para investidores e analistas, o desafio agora é ajustar expectativas. Repetir altas de 10x ou 20x pode se tornar cada vez mais raro, mas estabilidade crescente também pode ampliar adoção institucional. O ciclo atual talvez não seja decepcionante, apenas diferente. O novo Bitcoin pode subir menos, porém cair menos e durar mais.


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