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Novo sistema une Pix, Swift, stablecoins, bancos e blockchains

Novo sistema une Pix, Swift, stablecoins, bancos e blockchains

A corrida por pagamentos mais rápidos e baratos ganhou novo capítulo com o lançamento da Transfero Payment Network (TPN), infraestrutura criada pela fintech brasileira TRANSFERO para conectar trilhos distintos como Pix, Swift, stablecoins e redes blockchain. A proposta é simples no discurso e ambiciosa na execução: permitir que cada transação use automaticamente o caminho mais eficiente disponível, considerando custo, velocidade e liquidez. O pagamento deixa de seguir um único trilho e passa a buscar a melhor rota em tempo real.

Hoje, mover dinheiro entre países ou plataformas ainda envolve fricção relevante. Transferências internacionais tradicionais podem levar dias úteis, depender de bancos correspondentes e gerar taxas pouco transparentes. Já redes blockchain prometem liquidação rápida, mas esbarram em volatilidade, compliance e integração bancária. O Pix, por sua vez, revolucionou pagamentos domésticos no Brasil, porém não nasceu como sistema internacional. Cada modelo resolve um problema, nenhum resolve todos.

A TPN tenta justamente unir esses mundos. Em vez de obrigar empresas e usuários a escolher previamente entre banco tradicional, stablecoin ou infraestrutura blockchain, o sistema decide automaticamente qual canal tende a entregar melhor resultado. Na prática, uma remessa pode usar Pix em um trecho local, stablecoin para liquidação internacional e conta bancária no destino final. Complexidade nos bastidores, simplicidade para o cliente.

Esse movimento acompanha uma tendência global conhecida como modelo multi-rail, no qual diferentes sistemas coexistem e competem entre si. Bancos, processadoras e fintechs passaram a entender que o futuro dos pagamentos provavelmente não será monopolizado por uma única rede. A consultoria MCKINSEY aponta que empresas do setor estão investindo em orquestração de pagamentos para reduzir custos operacionais e aumentar taxas de aprovação em múltiplos mercados.

Segundo Claudio Just, CEO da TRANSFERO, o mercado avança para um ambiente em que cada transação exigirá rota própria, conforme valor, urgência e moeda envolvida. A infraestrutura foi desenhada para casos como pagamentos internacionais, conversão entre moedas fiduciárias e criptoativos, além de gestão de liquidez entre diferentes jurisdições. Enviar dinheiro começa a se parecer com rotear dados na internet.

O timing não é aleatório. Stablecoins ganharam protagonismo no comércio global e em remessas internacionais por oferecerem liquidação quase instantânea e operação contínua, inclusive fora do horário bancário. Dados da VISA e de plataformas especializadas mostram crescimento consistente no uso corporativo desses ativos para tesouraria e pagamentos transfronteiriços. Ao mesmo tempo, reguladores intensificam debates sobre supervisão, reservas e prevenção à lavagem de dinheiro.

No Brasil, o pano de fundo favorece inovação. O Banco Central informou que, no segundo semestre de 2025, os pagamentos digitais atingiram 78,4 bilhões de transações, somando R$ 68,2 trilhões. Isso representou alta de 12,9% na quantidade de operações e avanço de 14,1% no volume financeiro frente ao mesmo período de 2024. O brasileiro já migrou em massa para o dinheiro digital. O Pix segue como principal vetor dessa transformação.

Enquanto os meios digitais avançam, o uso de dinheiro físico continua em retração. Os saques caíram para 1,1 bilhão de transações no período, com redução em agências, caixas eletrônicos e correspondentes bancários. O dado reforça mudança estrutural de comportamento do consumidor e das empresas. O caixa eletrônico perdeu centralidade no cotidiano financeiro.

Ainda assim, integrar trilhos diferentes está longe de ser tarefa trivial. Sistemas bancários tradicionais operam sob regras rígidas de compliance e horários específicos. Blockchains públicas funcionam 24 horas por dia, com lógicas próprias de liquidação. Já stablecoins dependem de emissores confiáveis e clareza regulatória. Somar tudo isso em uma mesma experiência exige governança robusta, gestão de risco e alta disponibilidade tecnológica. Interoperabilidade parece simples no anúncio e complexa na prática.

Se a promessa funcionar em escala, iniciativas como a TPN podem redesenhar pagamentos internacionais, hoje marcados por custo elevado e lentidão. Para empresas, isso significaria melhor gestão de caixa. Para usuários, transferências mais baratas e rápidas. Quem dominar a rota ideal pode ganhar a próxima disputa do dinheiro digital.


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