O ecossistema brasileiro de ativos virtuais consolida uma guinada histórica em direção à conformidade institucional e à segurança operacional. Levantamento setorial conduzido pela consultoria KPMG em parceria com a ABCRIPTO revelou uma concordância absoluta entre os principais agentes econômicos do país. Todas as instituições financeiras e empresas intermediárias ouvidas defenderam que a auditoria externa regular sobre as reservas de stablecoins deve funcionar como premissa mandatória para a operação legítima no mercado de capitais doméstico.
A transparência contábil surge como o principal parâmetro de credibilidade para os tomadores de decisão corporativos. Cerca de setenta por cento dos dirigentes consultados afirmaram que a publicação frequente sobre a composição patrimonial, localização das contas e liquidez imediata dos ativos é indispensável para sustentar a solidez do negócio. Esse posicionamento unânime coincide com a consolidação das normas federais editadas pela autoridade monetária, demonstrando que a prestação de contas periódica protege as empresas contra crises de desconfiança e garante estabilidade às operações de câmbio.
O interesse institucional na tecnologia atingiu níveis recordes, abrangendo a totalidade das entidades analisadas, que já estruturam ou planejam lançar emissões próprias. Dois terços dos executivos sustentam que o lastro patrimonial desses instrumentos digitais precisa ser formado unicamente por moeda soberana em espécie e títulos da dívida pública. A escolha reflete a busca deliberada por liquidez máxima para neutralizar riscos de descolamento de preços durante momentos de volatilidade severa, fazendo com que a qualidade do colateral financeiro assegure a paridade cambial sem fricções operacionais.
No campo da governança corporativa, oitenta e nove por cento dos participantes manifestaram preferência por estruturas decisórias centralizadas, mantidas sob supervisão direta dos órgãos estatais de fiscalização. O modelo proporciona previsibilidade jurídica e facilita a interlocução com reguladores bancários ao fixar responsabilidades societárias claras. A percepção dominante entre os agentes de mercado sustenta que a centralização regulada atrai investidores conservadores, afastando modelos descentralizados desprovidos de mecanismos formais de prestação de contas perante a legislação vigente.
“O consenso sobre a auditoria não nos surpreende quando falamos em segurança das reservas, rigor de auditoria e lastro de qualidade não são entraves à inovação, mas a base de confiança que sustenta esse mercado. É essa mesma leitura que levamos ao BANCO CENTRAL e ao Congresso Nacional, as stablecoins precisam de um regime próprio, como ativos virtuais, e não de um enquadramento pensado para outro tipo de instrumento financeiro.”
A destinação e custódia dos fundos garantidores dividem as preferências técnicas do setor privado nacional. Enquanto trinta e oito por cento dos entrevistados defendem que as garantias permaneçam depositadas em bancos comerciais autorizados, mais de um quarto propõe a abertura de contas de custódia diretamente na autoridade monetária nacional para mitigar o risco de crédito privado. Cerca de oitenta por cento dos dirigentes apoiam a criação de um selo regulatório oficial, mecanismo prático para certificar plataformas em conformidade e combater assimetrias informacionais.
“A pesquisa revela um ecossistema cada vez mais maduro, que enxerga as stablecoins não como concorrentes das moedas fiduciárias, mas como uma infraestrutura capaz de viabilizar diferentes casos de uso, ampliando eficiência e inovação no sistema financeiro. Ao mesmo tempo, os resultados mostram que esse amadurecimento vem acompanhado do reconhecimento de que governança robusta, gestão de riscos e compliance regulatório são elementos indispensáveis para fortalecer a confiança dos usuários, das instituições e da sociedade como um todo.”
O segmento corporativo desponta como o principal motor de demanda comercial para as moedas digitais estáveis. Metade das instituições consultadas projeta as transferências transfronteiriças e a infraestrutura de pagamentos internacionais como as frentes mais promissoras de utilização econômica. Outra parcela substancial enxerga esses ativos como a principal moeda de liquidação para instrumentos tokenizados e ativos do mundo real, comprovando que a eficiência transacional atrai grandes corporações interessadas em baratear fluxos de tesouraria.
A coexistência com uma moeda digital de emissão pública soberana é interpretada pelo setor como uma relação de cooperação mútua. Quase noventa por cento dos entrevistados afirmam que a infraestrutura estatal fornecerá padrões tecnológicos e diretrizes de conformidade para o mercado, estimulando a oferta privada de soluções financeiras customizadas para o ambiente corporativo. O modelo integrado consolida um ecossistema econômico plenamente interoperável e transparente, unindo segurança estatal e dinamismo concorrencial em uma infraestrutura moderna.
“A convivência entre a moeda digital do BANCO CENTRAL e as stablecoins privadas mostra que o mercado não enxerga concorrência, e sim complementaridade cada uma cumprindo um papel na infraestrutura de pagamentos do país. Nosso trabalho agora é garantir que a regulação caminhe na mesma lógica: regras proporcionais, que tragam segurança sem concentrar o mercado nas mãos de quem já tem escala para arcar com estruturas de compliance mais custosas.”


