O movimento de realização de lucros no mercado de Bitcoin ganhou tração nesta semana, atingindo níveis que não eram observados desde o final do ano passado. Segundo Julio Moreno, chefe de pesquisa da CRYPTOQUANT, o rali de preços para as máximas de três meses motivou investidores a liquidarem cerca de 14.600 BTC apenas na última segunda-feira. O volume de lucros realizados somou US$ 1,1 bilhão em um único dia. Esse comportamento sugere que, embora o preço demonstre força, uma parcela relevante do mercado prefere garantir o capital antes de novas oscilações, marcando o maior pico de vendas lucrativas desde que o ativo orbitava os US$ 90.000.
“Detentores de Bitcoin estão realizando mais de 20 mil BTC em lucros líquidos em base de rolagem de 30 dias.”
A métrica on-chain STH-SOPR, que monitora o comportamento de carteiras com menos de 155 dias de posse, ultrapassou o nível 1, entrando em território claro de realização de ganhos. O cenário indica que os novos investidores estão aproveitando a janela de liquidez. Moreno ressalta que essa é a primeira leitura positiva da métrica desde dezembro de 2025, revertendo um período de perdas pesadas acumuladas em fevereiro e março. No entanto, o analista alerta que picos de lucro durante mercados de baixa costumam sinalizar topos locais, sugerindo que a demanda atual ainda pode não ser suficiente para sustentar uma nova máxima histórica imediata.

Apesar da pressão de venda exercida por esses investidores, o fluxo institucional segue atuando como um contrapeso relevante no ecossistema. Dados da FARSIDE mostram que os ETFs de Bitcoin captaram mais de US$ 1 bilhão ao longo da semana, embora tenham registrado uma saída de US$ 268,5 milhões na sexta-feira. A demanda institucional continua sendo o principal suporte para o preço atual. Essa queda pontual no final da semana reflete o ajuste de carteiras de grandes fundos, mas o saldo acumulado dos últimos quatro dias permanece positivo, indicando que o apetite de Wall Street pelo ativo ainda não se esgotou completamente.

A divisão entre os analistas sobre o rumo do mercado para o restante de 2026 permanece acentuada. Enquanto o movimento de curto prazo é de alta, investidores veteranos como Michael Terpin acreditam que o ciclo de baixa ainda pode testar níveis inferiores nos próximos meses. Terpin projeta que o fundo do ciclo pode ocorrer em torno de US$ 57.000. Essa previsão baseia-se em padrões históricos de tempo entre o topo e o fundo do mercado, sugerindo que a recuperação definitiva para patamares acima de seis dígitos pode ser um processo mais lento do que o mercado espera, exigindo paciência dos investidores de longo prazo.
“Há uma chance de Bitcoin poder retomar o nível de preço de US$ 100.000 em 2026, mas as chances são improváveis.”
O sentimento predominante é de cautela, com o mercado operando em uma zona de indecisão técnica. Se por um lado a adoção institucional via ETFs estabiliza a rede, por outro, a realização massiva de lucros por detentores de curto prazo cria uma resistência difícil de romper sem um novo catalisador macroeconômico. A resiliência do suporte atual definirá o fôlego para o próximo semestre. Com o Bitcoin lutando para se manter acima das médias recentes, o foco dos operadores se volta para os dados de inflação e as próximas decisões monetárias globais, que ditarão se a realização de lucro atual é apenas um respiro ou o início de uma correção mais profunda.


