O apetite dos investidores brasileiros por fundos de criptomoedas registrou uma desaceleração significativa no fechamento da última semana. Enquanto o cenário internacional foi de forte otimismo, os aportes locais recuaram para apenas US$ 0,2 milhão, o equivalente a cerca de R$ 1 milhão. O volume de investimentos no Brasil demonstrou um comportamento defensivo. Segundo dados da COINSHARES, esse movimento destoa da tendência global, onde o ingresso de capital em produtos negociados em bolsa apresentou uma recuperação vigorosa.
“Brasil apresenta otimismo moderado em relação ao movimento global dos fundos de criptomoedas.”

Diferente do recuo brasileiro, as entradas líquidas mundiais em ETPs somaram US$ 857,9 milhões no mesmo período. O avanço regulatório nos Estados Unidos impulsionou o otimismo dos mercados externos. A gestora vincula essa melhora ao progresso do CLARITY Act, especialmente após o consenso sobre o rendimento de stablecoins alcançado no Senado americano. A firmeza dos parlamentares diante das pressões do setor bancário tradicional foi lida como um sinal verde para o capital institucional estrangeiro.
“Isso provavelmente reflete a melhora do sentimento em relação à Lei CLARITY.”
No recorte regional, os Estados Unidos lideraram com folga, captando US$ 779,6 milhões, seguidos por Alemanha e Suíça. O Brasil mantém a sexta posição global em ativos sob gestão. Mesmo com a desaceleração semanal, o país acumula US$ 1,3 bilhão em patrimônio administrado (AuM), superando mercados como Hong Kong e Austrália. Esse montante reflete a consolidação do investidor nacional de longo prazo, que já aportou US$ 62 milhões no acumulado de 2026.
Na análise por ativos, o Bitcoin seguiu como o protagonista absoluto, atraindo US$ 706,1 milhões do fluxo global. O interesse institucional expandiu-se para redes como ETHER e SOLANA. Fundos baseados em XRP e CHAINLINK também registraram entradas positivas, enquanto produtos que apostam na queda do Bitcoin (Short Bitcoin) sofreram resgates de US$ 14,4 milhões. Essa dinâmica reforça que o mercado internacional está majoritariamente posicionado para a valorização dos principais ativos do setor.
“Bitcoin continua dominando as preferências de alocação mesmo com a melhora no sentimento geral.”
Entre as gestoras, a BLACKROCK reafirmou sua hegemonia através dos fundos ISHARES, que captaram US$ 733 milhões em uma única semana. ARK 21SHARES e FIDELITY também figuraram entre os destaques positivos. Em contrapartida, a GRAYSCALE continuou enfrentando saídas líquidas, perdendo US$ 63 milhões no período. O cenário mostra uma clara migração de capital para produtos com estruturas de taxas mais competitivas e gestão voltada ao novo padrão institucional de Wall Street.


