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Ethereum e Solana lideram perdas com ataques

Ethereum e Solana lideram perdas com ataques

O mercado de ativos digitais enfrentou um cenário de segurança cibernética desafiador ao longo dos primeiros seis meses deste ano, com prejuízos globais que já superam a marca de US$ 1 bilhão. Um estudo detalhado e recente publicado pela BLOCKAID revela que o ecossistema registrou o maior volume de incidentes criminosos em um único semestre em toda a sua história. O ecossistema do ETHEREUM e a rede da SOLANA figuraram no topo das estatísticas de prejuízos, acumulando perdas de US$ 332 milhões e US$ 326 milhões, respectivamente, por conta de investidas criminosas direcionadas a protocolos e infraestruturas digitais.

A plataforma de monitoramento verificou 212 incidentes de segurança de grande porte durante o período analisado. A quantidade de brechas de altíssimo risco registradas foi 3,4 vezes superior a todo o volume observado no ano anterior, evidenciando uma sofisticação crescente das quadrilhas cibernéticas. O maior caso isolado de invasão ocorreu no KELPDAO, que resultou em um prejuízo direto de US$ 292 milhões. A natureza das vulnerabilidades exploradas apresentou diferenças marcantes entre as duas maiores redes do mercado, com invasores ajustando suas táticas conforme a arquitetura de cada ecossistema.

No ambiente do ETHEREUM, as vulnerabilidades estiveram concentradas principalmente em erros no código-fonte de aplicativos descentralizados e contratos inteligentes. Além de falhas em pontes e manipulações operacionais de mercado, incidentes expressivos atingiram o HUMANITY PROTOCOL e o STABLR. Já a plataforma de trocas descentralizadas COWSWAP figurou como o único grande caso classificado como erro do usuário, reforçando que a maior parte dos prejuízos na rede decorreu de brechas técnicas complexas exploradas diretamente no nível do software.

(Perdas em blockchain por rede no primeiro semestre de 2026.)

Analistas da BLOCKAID destacam que o ecossistema permanece como o principal alvo dos criminosos virtuais por abrigar as aplicações de maior valor do setor financeiro digital, incluindo plataformas de restaking, moedas estáveis e corretoras descentralizadas. A concentração de recursos financeiros atrai ataques elaborados que buscam explorar pequenas brechas na lógica de funcionamento dos contratos digitais, exigindo auditorias contínuas e protocolos de segurança mais rígidos por parte das equipes de desenvolvimento.

Por outro lado, o volume de fundos roubados na rede SOLANA apresentou um salto drástico quando comparado aos dados do período anterior. A mudança de cenário não foi provocada por um aumento nas falhas de contratos inteligentes, mas sim pelo comprometimento de chaves privadas e da infraestrutura de assinatura digital. De acordo com os analistas, chaves vazadas responderam por mais de 98% das perdas registradas nessa rede, impulsionadas por ataques graves a projetos como o DRIFT PROTOCOL e o STEP FINANCE.

(Perdas por rede blockchain em 2025.)

Investigações conduzidas pela BLOCKAID associaram esses ataques na SOLANA a grupos cibernéticos altamente estruturados com conexões na Coreia do Norte. O foco dos criminosos migrou da exploração de código para a engenharia social e o comprometimento da segurança organizacional das empresas, embora brechas operacionais em projetos como RAYDIUM e VOLO tenham respondido por uma fatia menor dos prejuízos. A mudança de comportamento mostra que a proteção das chaves institucionais tornou-se o ponto mais crítico para a preservação do capital mantido pelas aplicações em rede.

Em declarações sobre o estudo, o executivo-chefe da BLOCKAID, Ido Ben-Natan, relembrou que em períodos passados o mercado acumulou prejuízos expressivos impulsionados por episódios isolados em grandes corretoras centralizadas como a BYBIT. No entanto, o cenário atual desenha uma distribuição mais pulverizada dos incidentes de segurança, afetando múltiplos protocolos de finanças descentralizadas em diferentes ecossistemas e exigindo respostas coordenadas de toda a comunidade.

Para mitigar a escalada dessas ameaças, empresas de auditoria recomendam a implementação urgente de arquiteturas de segurança multifacetadas. O combate às invasões exige a combinação de monitoramento de transações em tempo real na blockchain, isolamento de chaves administrativas em dispositivos desconectados da rede e auditorias rigorosas antes do lançamento de qualquer atualização de software. Sem uma elevação estrutural nas barreiras defensivas, a expansão do mercado de ativos digitais continuará sendo acompanhada por riscos elevados para investidores e desenvolvedores.

A consolidação dos dados de segurança emitidos por autoridades e empresas do setor serve como um alerta para o amadurecimento das práticas operacionais. O ecossistema caminha para um estágio em que a proteção contra ameaças digitais e físicas precisa ser tratada como prioridade absoluta por fundadores e gestores de fundos. A resiliência das redes descentralizadas dependerá da capacidade de antecipar novos métodos de ataque e garantir a proteção integral das credenciais de acesso que sustentam a economia cripto global.


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