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Itaú aposta em mineração de Bitcoin

Itaú aposta em mineração de Bitcoin

O ITAÚ UNIBANCO decidiu avançar no mercado de infraestrutura digital ligada a criptomoedas e energia renovável. O banco anunciou que liderou a rodada Série A da MINTER INC, empresa especializada em data centers voltados à mineração de Bitcoin instalados próximos a usinas renováveis. O movimento une finanças tradicionais, energia e ativos digitais em uma mesma aposta. Participaram também da captação a LESTE GROUP, a LEGEND CAPITAL e investidores individuais do setor.

Para o banco, o investimento abre caminho para novos produtos relacionados ao ecossistema cripto. Entre as frentes em avaliação estão serviços de liquidação, custódia institucional e acesso a moedas recém-mineradas com origem em energia renovável, conceito informalmente chamado por executivos do setor de “Bitcoin clean”. O Itaú quer participar da cadeia inteira, não só observar de longe. A movimentação acompanha o interesse crescente de grandes instituições financeiras globais em infraestrutura blockchain e ativos digitais tokenizados.

Esse é o terceiro aporte realizado pelo ITAÚ VENTURES, braço de corporate venture capital criado após a internalização da equipe que antes operava via KINEA. O objetivo da estrutura é financiar negócios com potencial estratégico e sinergia com áreas do banco. Capital de risco virou ferramenta competitiva dos grandes bancos. Em vez de esperar inovação externa amadurecer, instituições passaram a comprar exposição cedo.

Fundada em 2023, a MINTER reúne executivos com passagem por companhias como HASHDEX, CLEANSPARK e outras empresas de energia e mercado financeiro. A tese central nasce de uma característica brasileira: a matriz elétrica majoritariamente renovável. Segundo dados oficiais da EPE, fontes renováveis respondem por parcela amplamente superior à média global na geração nacional. O Brasil tem energia limpa, mas nem sempre consegue aproveitá-la totalmente.

Nos últimos anos, a expansão acelerada de parques solares e eólicos aumentou episódios de curtailment, quando usinas precisam reduzir produção por falta de demanda imediata ou limitações de transmissão. Nesses casos, energia disponível deixa de ser utilizada por restrições operacionais do sistema. Produzir e desperdiçar virou contradição cara. O tema se tornou recorrente em regiões com forte crescimento renovável, especialmente no Nordeste.

A proposta da MINTER é instalar data centers no próprio ponto de geração dessas usinas. Assim, a eletricidade que seria cortada pode ser convertida em poder computacional para mineração digital ou outras aplicações intensivas em processamento. Como essas cargas são flexíveis, podem ser desligadas rapidamente quando a rede precisar receber energia. Em vez de levar energia ao consumidor, leva-se o consumidor à energia.

“Essa é uma ferramenta que inverte a lógica tradicional do setor elétrico.”

A frase do CEO Stefano Sergole resume o modelo. Em mercados como Estados Unidos e Canadá, mineradoras já operam como demanda ajustável, comprando excedentes energéticos e desligando máquinas em momentos críticos. Segundo o Hashrate Index, os EUA concentravam cerca de 37,8% do poder computacional estimado da rede Bitcoin no fim de 2025. A liderança global ainda está fora da América Latina.

Para Phillippe Schlumpf, do Itaú Ventures, a tese combina expansão renovável e demanda crescente por infraestrutura computacional. O banco afirma priorizar segurança, conformidade regulatória e utilidade prática ao cliente. Não é aposta especulativa, e sim infraestrutura. Essa distinção importa num momento em que instituições buscam distância da imagem volátil historicamente associada às criptomoedas.

A MINTER já implementou um projeto de 20 MW na Bahia em parceria com uma grande geradora renovável. Com o novo capital, pretende ampliar operações no Brasil e iniciar expansão para o mercado norte-americano. Parte dessa estratégia envolve aproximar mineração digital de centros de computação de alta performance voltados a inteligência artificial. Onde hoje se minera Bitcoin, amanhã pode treinar IA.


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